Estágios do Alzheimer: O que esperar e como agir em cada fase

uma foto de um idoso olhando pela janela (passa serenidade e reflexão)

A Doença de Alzheimer progride lentamente e, embora cada pessoa evolua em seu próprio ritmo, a medicina classifica a doença em três grandes fases: inicial, intermediária e avançada.

Existem padrões claros que ajudam famílias e cuidadores a se prepararem. Este guia foi escrito de forma clara e humana para que você entenda o que está acontecendo e saiba como agir com serenidade diante da evolução da doença.

1. Estágio Inicial (Leve)

A fase inicial é frequentemente confundida com o “esquecimento normal da idade”. É aqui que os primeiros sinais aparecem de forma sutil, mas persistente. O idoso ainda mantém grande parte de sua autonomia, mas começa a falhar em tarefas complexas.

Sinais e Sintomas (Fase Leve)

  • Esquecimento recente: A pessoa não lembra do que acabou de fazer ou ouvir, mas lembra do passado distante.
  • Repetição: Faz a mesma pergunta várias vezes sem perceber.
  • Dificuldade de aprendizado: Não consegue usar um aparelho novo (celular, micro-ondas), mesmo com orientação.
  • Expressão travada: Pausas longas na fala ou dificuldade para encontrar a palavra certa.
  • Perda de objetos: Deixa chaves ou óculos em lugares improváveis (na geladeira, no banheiro).
  • Mudanças de humor: Irritabilidade, ansiedade e isolamento social por medo de expor suas falhas.
Estagios do Alzheimer, leve, moderado e grave.

Como cuidar nesta fase (Orientações Práticas)

  1. Mantenha uma rotina previsível: O cérebro funciona melhor com horários fixos para acordar e comer.
  2. Simplifique as escolhas: Ao invés de perguntar “O que você quer vestir?”, pergunte: “Prefere esta camisa azul ou a branca?”. Isso reduz a ansiedade.
  3. Evite confrontos: A pessoa não está esquecendo “de propósito”. Não adianta discutir com lógica ou dizer “eu já te falei isso”.
  4. Use auxílios visuais: Espalhe lembretes, use calendários grandes e etiquetas em gavetas.
  5. Reforce a autonomia: Deixe que ele faça tudo o que ainda consegue fazer sozinho, mesmo que demore um pouco mais.

2. Estágio Intermediário (Moderado)

Esta costuma ser a fase mais longa (pode durar anos) e a mais desafiadora para a família. É quando a maior parte da perda cognitiva acontece e a dependência aumenta.

Sinais e Sintomas (Fase Moderada)

  • Perda de memória progressiva: Pode não reconhecer parentes distantes ou confundir o nome de filhos.
  • Mistura temporal: Acha que ainda trabalha ou que os pais (já falecidos) estão vivos.
  • Atividades básicas comprometidas: Dificuldade para cozinhar, escolher roupas adequadas, tomar banho sozinho e lidar com dinheiro.
  • Alterações de comportamento: Agitação, agressividade eventual e o fenômeno do “Pôr do Sol” (confusão mental que piora ao anoitecer).
  • Inversão do sono: Dorme muito de dia e fica acordado à noite.
  • Alucinações: Pode acreditar que alguém está roubando seus objetos ou ver pessoas que não estão lá.

Como cuidar nesta fase

  1. Segurança em primeiro lugar: Retire tapetes soltos, instale barras de apoio no banheiro e tranque acesso a áreas perigosas ou à rua.
  2. Não force lembranças: Perguntar “Quem sou eu?” gera frustração e dor. Priorize o conforto emocional, não a memória.
  3. Comunicação simples: Use frases curtas e diretas: “Vamos comer agora”, “Vamos ao banheiro”.
  4. Higiene assistida: Crie uma rotina relaxante para o banho, sem pressa.
  5. Cuide de você: A exaustão do cuidador nesta fase é real. Peça ajuda, reveze com familiares e aceite que você não consegue fazer tudo sozinho.

3. Estágio Avançado (Grave)

Nesta fase, o Alzheimer afeta as áreas do cérebro responsáveis pelas funções corporais básicas. A conexão passa a ser muito mais sensorial e afetiva do que verbal.

Sinais e Sintomas (Fase Grave)

  • Comunicação limitada: Poucas palavras, frases desconexas ou ausência total de fala.
  • Perda de reconhecimento: Pode não reconhecer os familiares mais próximos.
  • Mobilidade reduzida: Dificuldade para andar, sentar-se sem apoio ou necessidade de ficar acamado.
  • Disfagia: Dificuldade para engolir, aumentando o risco de engasgos e pneumonia.
  • Incontinência: Perda de controle da urina e fezes.

Como cuidar nesta fase

  1. Priorize o conforto: A meta deixa de ser “estimular memória” e passa a ser garantir dignidade, ausência de dor e carinho.
  2. Adapte a alimentação: Com orientação médica, passe para dietas pastosas ou líquidos espessados para evitar engasgos.
  3. Toque e Presença: Mesmo sem falar, a pessoa sente o carinho, o tom de voz calmo, o cheiro familiar e o toque das mãos.
  4. Prevenção de feridas: Se a pessoa estiver acamada, a mudança de posição a cada 2 horas e a hidratação da pele são vitais.

Por que entender os estágios ajuda tanto?

Compreender as fases reduz a ansiedade e evita frustrações. Você deixa de esperar da pessoa aquilo que ela não tem mais capacidade neurológica de oferecer. Isso permite planejar as finanças, a estrutura da casa e a rede de apoio.

Conclusão: O amor muda de forma

O Alzheimer é uma doença que vai transformando a pessoa gradualmente — mas o amor continua ali, intacto. Ele apenas muda de forma. A família não perde o familiar; ela aprende a amá-lo e cuidá-lo de um jeito novo a cada dia.

Perguntas frequentes:

Quanto tempo dura cada fase do Alzheimer?

É muito variável. A fase inicial pode durar de 2 a 4 anos. A fase intermediária é a mais longa, podendo durar de 2 a 10 anos. A fase avançada dura em média de 1 a 3 anos.

O Alzheimer evolui sempre rápido?

Nem sempre. A progressão varia muito de pessoa para pessoa, dependendo da idade, saúde geral e dos cuidados recebidos.

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